Piratas / Internet / Direitos autorais
Simbiose, pensamento multi-disciplinar, consciente coletivo, são palavras que definem os dias que estive com dois grupos de ativistas durante a Bienal de Veneza. Os suecos do PiratByran, mais conhecido como The Pirate Bay e os italianos do SALE, grupo que sediou o não oficial Pavilhão da Internet – fornecendo espaço físico para a Bienal de Veneza 2009.

Aos poucos, a ideia de que a internet é a casa da arte do novo século vem sendo mais aceita e discutida. E é isso que faz o grupo de piratas sueco circular pelos mais importantes eventos da arte contemporânea, como a Bienal de Veneza 2009 e o Manifesta7, em 2008. E ainda serem premiados com o Ars Electronica 2009 – o mais importante prêmio de arte eletrônica do mundo. E foi essa visão da internet como o novo abrigo das artes que fez o SALE disponibilizar o espaço físico pro pavilhão de internet da feira italiana. A Bienal Veneza não oficializou o pavilhão como parte do programa do evento por ainda não ser comercialmente viável, mas, nessa parceria com o SALE, mostrou que a internet tem espaço garantido no mundo da arte contemporânea.

O PIRATBYRAN ou PIRATE BAY

O PiratByran é um grupo de jovens suecos que nos últimos 5 anos discute as atuais leis de propriedade intelectual, como os direitos autorais. Leis que agem como uma espécie de barreira para a evolução natural da distribuição de informação na internet, que não só são incapazes de acompanhar a velocidade da evolução da internet, e, consequentemente, da economia. Leis que ainda tenta tachar jovens que forçam essa evolução como criminosos Justamente por irem contra os interesses das grande corporações e do lobby que as defendem dentro das leis.

Foi em uma ação contra essa atitude corporativa sobre a propriedade intelectual que o PiratByran, em 2004, fundou o Pirate Bay, sitio que disponibiliza arquivos bittorrent na internet. Apesar de o Pirate Bay ser um projeto independente do PirateByran, nem os próprio piratas conseguem definir onde começa um e termina o outro.
O Pirate Bay não tem responsabilidade pelo material, ou links, que disponibiliza. O uso dos links está não só dentro das leis suecas, como também de boa parte dos outros países. São, inclusive, as mesmas leis que defendem o Google – atual maior corporação virtual do mundo. De acordo com o Pirate Bay, todo o material/links será disponibilizado no sitio. Caso algum material seja considerado desapropriado – ao contrario das outras comunidades disponíveis on-line – eles aconselham o usuário a procurar algo mais apropriado. Ou seja, o sitio não pretende fazer nenhum tipo de censura sobre o material/link indicado. No caso de material ilegal, eles dão apenas o número da polícia pra se o usuário decidir fazer uma queixa.

CASO JURÍDICO

No começo de 2009, depois de anteriores tentativas frustradas, o sitio Pirate Bay finalmente foi processado e sentenciado a um ano de prisão e multas em mais de US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 7,2 milhões). Menos de duas semanas seguintes o julgamento foi considerado corrupto e a juíza afastada do caso por ter conexões com o grupo sueco de defesa de propriedade intelectual. O fato só fortaleceu a eleição do Partido Pirata (que não tem nenhuma ligação direta com o grupo de jovens PiratByran) a conseguir uma cadeira no Parlamento Europeu, respaldados pela maioria dos jovens suecos. Um dos principais pontos discutidos pelo partido é a tentativa dos EUA, país onde estão as maiores corporações, de infiltrar suas leis no sistema sueco.

PIRATAS

Originalmente, as sociedades piratas foram iniciadas lá pelo século XV por grupos de conquistadores. Ao chegarem as novas terras conquistadas se espantavam com a liberdade de viver sem a coroa e as rígidas regras sociais. Assim, formavam novas sociedades livres de distinções raciais e religiosas, onde o poder era dividido de forma horizontal. Nos mares os piratas saqueavam dos ricos e capturavam barcos traficantes de escravos, incluindo em suas embarcações todos aqueles que se dispusessem a fazer parte de uma sociedade livre. Os atuais Piratas, a meu ver, são aqueles que defendem uma dita “utopia”, que lutam pela liberdade da informação e forçam uma evolução na economia atual. Defendem um idealismo livre de preconceitos raciais ou religiosos e respeitam o indivíduo. Os piratas de hoje estão na internet, onde fronteiras físicas, leis governamentais e materiais não se aplicam, onde o conhecimento é distribuído gratuitamente e de forma convidativa para novas colaborações. Os piratas mostram que a “utopia” é realidade, e vai além do Google e do FaceBook, é o pensamento coletivo na internet, que grita por uma mudança, um século novo.

1 Comment

mto bom! gostei pra caralho tbém do video dos mísseis. pc me mostrou.

vou olhar o resto do material tbém.

fodasso!
valeu.

ale added these words on Jun 16 09 at 8:42 pm

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